SOBRE A UNIÃO

 

UNIÃO APOSTÓLICA DE FAMÍLIAS NO BRASIL 

OBRA INTERNACIONAL DE SCHOENSTATT

 

“O matrimônio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade. A situação histórica em que vive a família apresenta-se, portanto, como um conjunto de luzes e sombras.” (Familiaris Consortio 1 e 6)

Esta é a situação atual das famílias: vivem uma carência de identidade, estão envoltas numa massificação e perderam o referencial de valores.

A União Apostólica de Famílias de Schoenstatt quer ser uma resposta a esses problemas.

Mas, afinal, o que é a União Apostólica de Famílias de Schoenstatt?

É uma comunidade de famílias inseridas na sociedade e em todos os ramos de atividades e profissões que vivem o matrimônio católico como é ensinado pelo Magistério da Igreja.

Empenham-se em atingir o mais alto grau possível de santidade, tendo como modelo a Sagrada Família de Nazaré e procuram, pelo exemplo de vida em família, testemunhar a outras famílias a felicidade e a realização obtidas ao seguir com fidelidade a Deus e à Igreja.

Histórico:

A União de Famílias é uma das comunidades do Movimento Apostólico de Schoenstatt, fundado em 18 de outubro de 1914, cuja missão é a renovação religiosa e moral do mundo em Cristo por Maria mediante a formação de um novo tipo de homem e de comunidade.

O que a União de Famílias nos oferece?

Três grandes meios para a santificação da família:

Missão:

“Ser Família Santa do Pai, à imagem da Família de Nazaré – uma comunidade de vida, apostólica e fiel aos ensinamentos do Fundador e da Igreja, guiada pela Fé Prática na Divina Providência e pelos Conselhos Evangélicos, empenhada em formar famílias segundo o plano de Deus, a partir de Schoenstatt, para transformar o mundo.”

Abrangência:

A União Apostólica de Famílias é uma comunidade internacional e compõe a Obra das Famílias de Schoenstatt, estando presente em 18 países, tendo em torno de 2000 famílias.

No Brasil, foi fundada em 1988 e está presente em vários estados.

Possui uma estrutura federativa em nível de território, composta atualmente por três Regiões:

·                     Rio Grande do Sul, abrangendo Santa Catarina;

·                     São Paulo, abrangendo Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Distrito Federal;

·                     Paraná.

Em nível internacional, na cooperação solidária com o Instituto de Famílias e com a Liga das Famílias, compõe a Obra das Famílias de Schoenstatt.

Valores cultivados:

A Mãe, o Santuário e o Fundador são, para nós, os três pontos de contato com a graça específica do carisma de Schoenstatt ou os pontos de contato na Aliança (cf. Introdução em Schoenstatt. Regional Sul – Santa Maria 2003, p. 143-6) A Aliança de Amor teve dois contraentes essenciais: a Mãe de Deus e o Padre Kentenich. A Mãe, naquele ato, representou a Deus e o Padre Kentenich, o humano, isto é, todos aqueles que viriam a incluir-se na Aliança original. Ela foi selada no Santuário, que se tornou o lugar e a fonte da graça, o berço e a escola de santidade, o centro e o lar da Família de Schoenstatt. O Fundador é o instrumento escolhido por Deus, como causa segunda especial, para selar a Aliança com a Mãe e, assim, trazer ao mundo a Obra, na qual permanece como o Pai e a Cabeça transtemporal.

Uma espiritualidade é um caminho de acesso a Deus ou ao mistério de Cristo. A fonte e o centro da espiritualidade de Schoenstatt é a Aliança de Amor selada entre a Mãe de Deus e o Padre Kentenich em 18 de outubro de 1914. (cf. Carmona. Schoenstatt. Que é? p.95). A Aliança de Amor vivida se projeta em três dimensões, que são as três dimensões da espiritualidade de Schoenstatt: a piedade Mariana de Instrumento (o apostolado), a Santidade de Todos os Dias (união entre fé e vida) e a Fé Prática na Divina Providência (descobrir e realizar o plano de Deus). (cf. Carmona. Schoenstatt. Que é? p. 113; Fernandez, Rafael. 150 Preguntas sobre Schoenstatt, p.51-53).

De forma geral, pedagogia significa o estudo dos ideais de educação segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios mais eficientes para efetivar esses ideais (Dicionário Aurélio). Nós, schoenstatteanos, “partindo de nossa concepção pedagógica do novo homem na nova comunidade, somos portadores de um pronunciado movimento de educadores e de educação... anunciadores de uma original doutrina pedagógica... e transmissores de um grande e fecundo segredo pedagógico” (Pe. Kentenich, 1950).

Nosso sistema pedagógico nos oferece os meios ascético-pedagógicos e as cinco estrelas condutoras, elementos essenciais no processo de educação e de autoeducação objetivando formar o homem novo.

“A vocação cristã é também por natureza vocação ao apostolado. Denomina-se apostolado toda a atividade do Corpo Místico que tende a estender o reino de Cristo a toda a terra” (LG 20). Assim, com o objetivo de criar o homem novo na nova comunidade (o próprio reino de Cristo), torna-se claro o papel central que o apostolado assume em Schoenstatt.

Mas a que apostolado específico devemos nos dirigir? “De acordo com as vocações, os apelos da época, os dons variados do Espírito Santo, o apostolado assume as formas mais diversas” (CIC 864), ou seja, com o ouvido no coração de Deus e a mão no pulso do tempo, olhamos para nosso Estatuto que diz, em seu art. 7º, “o apostolado dos membros da União deve ser o mais amplo possível, atingindo todos os ambientes imagináveis... As prioridades de apostolado, além da própria família, são a União de Famílias, a Liga de Famílias e a Campanha da Mãe Peregrina”.

A Fidelidade à missão de Schoenstatt representa nossa contrapartida à fidelidade da própria Mãe de Deus à Aliança de Amor.

“A Mãe de Deus permanece fiel. Não temos com que angustiar-nos... a Mãe de Deus é a “Virgo Fidelis” – a Virgem Fiel... Ela permanece fiel à sua Aliança” (Conferência de 31/5/1949, em Bellavista).

Nossa parte deve traduzir-se em fidelidade eterna à Missão de Schoenstatt, acima de tudo concretizada na Aliança de Amor, mesmo que isso inclua um salto mortal da fé, como tantas vezes nosso Pai e Fundador fez.

“A Fidelidade à Aliança com a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt é o caminho mais certo e mais seguro para eternizar a Aliança com o Deus Trino” (Pe. Kentenich, A Rosa Mística, 18/06/57).

O Pe. Kentenich, Fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, é o representante de Deus para sua fundação.

Deus lhe confiou uma missão, um carisma, e a singularidade de sua Obra exige a fidelidade de seus seguidores.

Em Schoenstatt a fidelidade ao Fundador é decisiva, pois, somente nele, profundamente vinculados à sua pessoa e ao seu pensar, poderemos concretizar a missão de  Schoenstatt para a Igreja e para o mundo.

Valores específicos da União:

Liberdade é a faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação. Para o Pai e Fundador, é a capacidade de decidir por si mesmo e de realizar o decidido. É ser livre de tudo o que nos afasta de Deus a fim de ser livre para Deus e os seus planos (é a fórmula: Livre de... a fim de ser livre para...). A liberdade para o cristão é um chamado à responsabilidade; o homem deve usar a sua liberdade em vista do seu destino eterno. "Em virtude de sua alma e de seus poderes espirituais de inteligência e vontade, o homem é dotado de liberdade, sinal eminente da imagem de Deus" (CIC 1705). "Ela pertence à essência do homem, é sua coroa, o mais nobre que possui e o torna, em sentido pleno, imagem e semelhança do Criador." (Carmona. Schoenstatt. Que es?, p.46)

O Pai distingue a União dos Institutos pela forma como assumimos os compromissos em liberdade. Dirigindo-se à União Feminina afirma: "Nós somos livres!" (Conferência de 09/08/1950)

“Os Conselhos Evangélicos são certos meios para praticar a virtude, recomendados no Evangelho, pelos quais se alcança um grau especial de perfeição cristã”. Em outros termos, “são meios e caminhos que nós aplicamos com liberdade e magnanimidade para alcançar o ideal”.  Aspirar a realizar o ideal, seja o ideal pessoal, seja o do Curso ou outro ideal de nossa Família de Schoenstatt, sempre significa caminhar em direção a um alto grau de perfeição.  Por estes ideais sempre entendemos o grau mais alto possível de semelhança com Cristo e com Maria. (cf. Pe. Mosbach, Se Queres ser Perfeito..., p. 19 e 23). Como casais da União aspiramos “ao mais alto grau possível de perfeição de estado dentro do espírito dos Conselhos Evangélicos...”(Art. 4o. do Estatuto). Nosso Pai e Fundador aponta os Conselhos Evangélicos como o caminho para a santidade. Todo aquele que, de algum modo, quer ser santo não poderá sê-lo sem o cultivo dos Conselhos Evangélicos. (cf. Ser Filho Diante de Deus, II, p.129).

O cultivo de espírito é essencial na União. O Pai e Fundador ensinou que, “como temos tão poucos vínculos”, em comparação com os Institutos, “o cultivo de espírito deveria ser ainda maior entre nós” do que entre eles (cf. Retiro de 1950 à União Feminina, p.16).

A União deve garantir que, pela educação, a maior liberdade exterior seja corretamente utilizada. Mais que o Instituto, a União depende de um cultivo de espírito autêntico e assegurado. O objetivo da União é formar educadores educados, ou seja, capacitar todos os unionistas para se deixarem guiar pelo Espírito Santo e não pelo espírito natural e, menos ainda, pelo espírito mundano. Concretamente, buscamos o cultivo do espírito de magnanimidade, de família e de responsabilidade apostólica (cf. Pe. Bezler, Reflexões sobre a natureza da União, pó.31-33). “O maior grau possível de cultivo de espírito”, que estabelece o nosso Estatuto (Art. 10), deve ser atingido pela formação que a União nos proporciona, pela seriedade na prática dos meios ascético-pedagógicos e pela nossa vida de Aliança com a Mãe.

A família é uma íntima comunidade de vida e de amor... Por isso, é-lhe confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor. (FC 17) “É a célula primeira e vital da sociedade. É a primeira escola daquelas virtudes sociais que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade.”(AA 11, FC 42). Ela tem um “valor único e insubstituível para o progresso da sociedade e da própria Igreja” (ChL 40). O nosso Pai e Fundador afirma que ela é o fundamento e a coroa da Obra de Schoenstatt, da Igreja e da sociedade.

“A vocação universal à santidade é dirigida também aos cônjuges e aos pais cristãos. Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimônio” (FC 34 e 56).

Aos casais, em Milwaukee, o nosso Pai e Fundador enfatiza: "Queremos tornar-nos santos, não por sermos cônjuges também, mas exatamente por sermos cônjuges de forma explícita...” (Às Segundas-feiras ao Anoitecer, I,  p. 67) E conforme o nosso Estatuto, “Os esposos...decidem-se livremente pela aspiração ao mais alto grau possível de perfeição de estado, dentro do espírito dos Conselhos Evangélicos no ambiente sacramental do matrimônio e da família”( art.4º). Perfeição de estado é santidade.

O nosso Estatuto reza: “A União... é uma comunidade de famílias católicas. Compreende-se como uma Família de famílias, um novo tipo de comunidade livre...” (art.2º) No Retiro de fundação da União de Famílias o Pai e Fundador disse: “Assim como antigamente havia famílias que se agrupavam em clãs, queremos formar clãs nos quais os membros conservam a sua independência sem, no entanto, deixar de unir-se para um caminho e para uma ordem comuns.” (Retiro de 1950, p.8). Desta forma, a União torna-se uma Família ampliada, na qual todos lutam pelos mesmos ideais, comungam os mesmos valores e se empenham “pela transformação do mundo, em Cristo por Maria, a partir de Schoenstatt.” (Estatuto, art. 3º).

Conforme nosso Pai e Fundador a “União é uma comunidade de guias, apostólica...”. Reiterando esse pensamento, diz o art. 2º do Estatuto: “A União Apostólica de Famílias de Schoenstatt no Brasil é uma comunidade de famílias...”

O espírito comunitário é muito forte e importante para a União de Famílias, devendo ser cultivado desde o início de cada curso. Devemos ter plena consciência de que Comunidade é viver um no outro, com o outro e para o outro.

Comunidade é o envolvimento do ser humano que age numa doação de reciprocidade, estando unido a outros por um vínculo espiritual. É o lugar de pertença e abrigo e dá espaço à individualidade e à sociabilidade.

Fotos: Centenário da Aliança :